Desabafo 5

A seguir, um desabafo recebido em forma de carta. Um pouco triste e reflexivo. Mostra um pouco do modo como levamos a nossa vida, e a maneira como agimos e pensamos em relação ao outro.

O espaço ordinário, vangloriado, que na sua absoluta in/sensatez, nos permite viver/existir enquanto podemos, se fecha aos olhos de pessoas que tremem ao medo existente na mente das pessoas.

Boas leituras!

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…quando alguém me pergunta como eu estou, eu digo o popular: “Eu estou bem…” mas sabe o que realmente estou sentindo? Não? Certo, eu vou te contar…

Eu estou sofrendo. Muito! Não sei o motivo desse sofrimento. Você sabe o que é dormir quase todo dia pensando somente em não acordar mais? Se livrar dessa dor que te desgasta aos poucos?

A maioria das pessoas são falsas. E elas mentem. Algumas pessoas próximas a você, inclusive, farão isso. De alguma forma se aproveitarão e te farão chantagens, estas, serão tão convincentes, que você nem notará que estará sendo enganado.

Mas isso é o de menos nesse sofrimento todo. Saber que o nada não muda, de certa forma dói. Pessoas reclamam e reclamam, mas não se prestam a uma visão mais ampla das possibilidades desses horizontes longínquos e inexplorados.

Estou cansada! Estou sobrecarregada!

Não consigo mais carregar esse fardo que me tortura todo nascer do dia. Você sabe o que é bipolaridade? Eu não sabia, até começar a passar por isso. É horrível ter que lidar com isso, e pior, essas mudanças temperamentais estão dentro de mim, me culminando e sufocando dia após dia. Não consigo mais ver graça nas coisas. Sensações alegres momentâneas, já não me fazem mais feliz. O sorriso não me faz tão feliz.

Tento buscar resquícios dos sonhos mais antigos, aqueles mesmos que me motivaram para que eu jamais desistisse, mas parece que todos eles sumiram. Evaporaram da minha mente. Meu eu mais sombrio me coberta quase todo momento. E isso é tão deprimente! Tão cansativo, mentalmente, que está se aflorando para meu organismo externo.

‘Parece loucura falar em suicídio né? Pois bem… não é e nunca foi. Muitos de nós sofremos nos mais íntimos confortos que só nós mesmos entendemos e sentimos. Ninguém mais conseguirá compreender nossa dor. Cada dor tem a sua proporção equivalente à mente de quem a sente. E eu estou sentindo a minha neste exato momento.’

Não quero mais sentir!

Estou lutando contra isso há anos, mas parece que a cada dia, meu tempo se encurta mais para uma solução prévia. Estou me sentindo limitada aos meus pensamentos e sentimentos. Estou me vendo coagida por mim mesma.

‘Enjaulei-me nesse porão de desesperos, e não consigo mais achar a chave.’

Estou penetrando todos os pilares dos infernos em mim criados. Estou surtando nesse mar de auto discórdia que deixei enraizar na minha mente.

A culpa é minha! Sempre foi e sempre será!

Eu deixei que tudo acontecesse, e agora sofro sozinha pelos atos que não cometi. Não sei exatamente como teria me sentido, mas me sinto mal por não ter tentado. Não ter me desafiado a tentar. Me odeio por ter sido covarde… e ainda ser!

Cada lágrima que escorre pelos meus olhos, mostram o quão esgotada estou por me permitir continuar assim. Não consigo encontrar as forças exatas para continuar vivendo. O controle remoto da minha vida, quebrou, aos meus olhos.

– Acha isso errado? Como pode uma pessoa pensar assim, ou agir de tal maneira? Certo, vamos lá mais uma vez. Não quero pena nem consolo de quem não está nem aí para o que eu (Ou as pessoas como eu) estou sentindo. Vim aqui apenas para desabafar. E tenho certeza, que não compartilho desses sentimentos sozinha.

Serei a eterna solitária em meu mundo de prantos.

Não quero mergulhar mais nesse rio de tristezas. Quero a fuga para uma vida feliz. Certo, felicidade é utopia, haja visto que ela está nos momentos prazerosos que temos todos os dias com as pessoas ao nosso redor, e sozinhos, quando estamos em harmonia conosco. Quero mais disso. Quero ter novamente, aqueles delicados e singelos momentos de delicadeza e sorriso comigo mesma.

Sei que não é fácil conseguir, mas não vejo como fazer para tê-los. Vejo-me em desconsolo cada vez que me olho no espelho. A minha vista me tortura dizendo que eu sou uma pessoa infeliz. Ela estampa vorazmente, todos os pensamentos e sentimentos que um dia eu tive. Joga na minha cara as covardias e me aconselha a seguir em frente. Acho que é por isso, também, que não a vejo muito.

Estou assustada, pois, não encontro uma rota de fuga. Cada vez que a vejo, me perco dela, e algumas vezes quando a perco, procuro a morte. A sombria e indesejada, morte. Já pensei em algumas maneiras de tentar suicídio, e confesso que alguns dos métodos que tentei, não deram muito certos. Às vezes acho uma pena.

Nesse desabafo solitário, quero apenas declarar o que eu sinto ao vento. Soltar todas as migalhas de esperanças que restam em mim, para ver se elas florescem com cada raiar de um novo dia.

Quem sou eu? “Uma viajante desconhecida, procurando o bem-estar e amor próprio, que ela perdeu tempos.”

Um coração que não nasceu

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